Casa da Xiclet

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Não é novidade para ninguém que o estilo de vida em São Paulo é extremamente estressante. Nunca temos tempo para nada. Sempre estamos presos no trânsito. Ainda tem a questão da violência, arrastões em bares e restaurantes, enfim, a lista não tem fim. Se a gente colocar na balança, é fácil perceber que o melhor a fazer é ir embora daqui. Mas, porém, entretanto, todavia, a cidade também oferece surpresas que nos faz ficar. Podemos começar pelos restaurantes, pelos bares, pela facilidade dos serviços 24h, pela parte cultural, enfim, esta lista também não tem fim.

E falando sobre esta lista boa, destas pequenas surpresas que faz a gente se reapaixonar pela cidade, está a Casa da Xiclet, um espaço cultural para novos artistas.

Na verdade, a Casa da Xiclet, como o nome diz é a casa da Xiclet, ou Adriana, mesmo. Fica na Vila Madalena e ela abre sua…

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Casa da Xiclet

 sobre a 31ª Bienal

“Como falar de coisas que não existem”

O título da bienal por vir é uma falácia…

“Não existe o que não existe”
(RES, texto escrito em 24/06/2014 e publicado no site atelierdocentro.com.br)

“Nada virá do nada”
(Shakespeare, Rei Lear, citado por Bateson no livro “Mente e Natureza – A Unidade Necessária)

Muito já foi especulado acerca do “imaterial” na arte, e numa sociedade de premissas bem positivistas isso é no mínimo curioso. Uma instituição que pretende abordar o imaterial ou espiritual na arte precisaria antes de mais nada se problematizar num grau tão alto que espatifaria enquanto instituição e terminaria sem qualquer resultado, exposição, catálogo, lobby.

Se o não-existente existe, ele só pode então ser algo solapador e que varreria do mapa todo tipo de instituições e gregarismos…

Barthes fala deste termo, muito útil para problematizar instituições – “gregarismo”. Apelar para um título destes é gregário, é querer uma aproximação com a forma do Imaterial (se é que isso existe), mas não com o seu sentido intímo, visando um cacauzinho ali na linha do horizonte… Se quiséssemos ser radicais, é desrespeitar por completo tudo aquilo de que arte realmente se trata.

Mas não queremos ser radicais. A poeira é a poeira e ela passa longe do Imaterial da arte. Arte passa longe do Imaterial da arte. A melhor arte vai conseguir um cheirinho só, esquivo e inconclusivo, do Imaterial da arte. Foi sempre assim no Ocidente, onde há problemas e vontade de solucionar, angústia do pesquisador e ímpeto transcendente.

No Zen a coisa parece ser diferente. No Zen esse papo do que não existe é asneira total.

A arte contemporânea quase hegemônica celebrada pela Instituição não é nem Transcendentalista, nem Imanente (como o chá, o arco e flecha e a jardinagem tradicionais japonesas), mas sociológica – ou seja, gregária, pois se aproxima de outro campo, a Sociologia, para buscar sua legitimação mundana.

Arte ativista no grau mais honesto não poderia ser apresentada pelas Instituições, então arte ativista talvez seja o não-existente dessa estória toda…

A Galeria Casa da Xiclet não é Instituição, não quer apresentar o Imaterial, quer proporcionar espaço informal, declaradamente não-institucional, brasileiro, para manifestações artísticas e estéticas.O estético tudo abarca, então tomemos cerveja no seu pátio, escutemos uns LPs velhos, olhemos os visitantes errantes dessa estranha cidade que é São Paulo (também informal até na sua formalidade! desengonçada mesmo!)

Em “brasileiro” cabe uma nota de rodapé… onde eu estabeleceria contrastes, a la Hélio, entre Cultura Transcendente (Europa), Imanente (Japão Zen), e Brasileira (onde a principal característica não é o transcendentalismo europeu, apesar desse ser forte, mas a informalidade, o improviso, a desenvoltura em lidar com mudanças, incorporar a adversidade na sua chave positiva e até ativa, além, é claro, do esforço empreendido em manter as coisas informais – viva a Antropofagia que sacou isso tudo com tanta antecedência! Viva o Brasil!)

Lucas Rehnman  (24 de  Julho de 2014)

sobre a bienal da casa da Xiclet

“COMO FALAR DE PESSOAS  QUE  EXISTEM”

Tenho vontade de estudar mais profundamente a questão das residências. Bases históricas de quandos, ondes e comos foram, eram, e vieram a ser, as residências. Desde quando existe? É o que? Um suporte? Um meio? Um recurso? Uma instituição? Um ponto cego dentro da instituição? Espaço privado dentro de espaço público? Seja o que for, residência artística é um assunto de lastro filosófico.

Penso nos monges nos monastérios. O trabalho e o lugar de trabalho e a vida pressionados um contra o outro até borrar os limites. Condomblé: períodos de quarentena, concentração, trabalho, ritual. As religiões terem surgido aqui como uma primeira referência não é a toa. As doutrinas religiosas pretendem justamente esse amalgama entre ética, estética e vida.

“O sentido último do erotismo é a fusão, a supressão do limite”

Georges Bataille

Ver a exposição no Rio “Arte-Vida”, curadoria de Adriano Pedrosa. Procurar textos sobre a mostra, que se passa no rio, em vários lugares diferentes. Um deles é no Parque Lage. Lembro da exposição que fizemos com a Casa da Xiclet no Parque Lage: sensação do grupo ser um corpo – tribo – clã. Micro-instituição. Piratas. Igreja. Uma sensação parecida se deu na Serrinha, desta vez com pessoas que nunca haviam se visto antes e que, de repente, a partir de um convívio diário num mesmo lugar, dividindo a hora da comida e o espaço de trabalho, se irmanam.

Irmandade. A residencia tem essa potência. Não todas, creio. Imagino que há residências onde a individualidade é mais preservada, e a coletividade não é tão trabalhada. Ainda assim haverá entre os residentes uma identificação. Morar junto. Algo como um teatro. Psico-drama, só que de uma outra família. Uma família utópica.

Novos Bahianos. Casa Brasa Mora. Os circenses do filme “O Sétimo Selo”, de Bergman. Pensar outros exemplos disso.

Essas experiências são ricas, não raro, num aspecto emocional, mais do que intelectual. Riqueza emocional, aumento desta riqueza. Aventura x Experiência. Tentar traduzir intelectualmente uma experiência emocional pode ser muito frustrante, pra não dizer um erro.

A arte, a poesia, se faz desse erro, dessa impossibilidade ignorada pela paixão. O artista, o poeta, já não sabe se age emocionalmente ou racionalmente. Sensação e Intuição também se confundem nesse território.

N˜åo raro as residências são pouco produtivas, num sentido material mesmo. É comum que obra nenhuma surja dessas experiências. Mas elas inevitavelmente deixam rastros, índices (estou admitindo aqui que tais rastros não são suficientes para constituirem-se como obra), mas também agem sobre um lugar anterior e indispensável à toda obra,

André Sztutman  (16 de  Julho de 2014)

 

quem  quiser expor na bienal da casa da Xiclet

leia o REGULAMENTO e se inscreva: http://casadaxiclet.com/bienal-2014-regulamento/

Datas das Exposições:

Exposição A :  de 12 de setembro (abertura) a 21 de  setembro de 2014 (encerramento)
Exposição B:  de 26 de setembro (abertura)  a 05 de  outubro de 2014 (encerramento)
Exposição C:  de 10 de outubro (abertura)  a 19 de  outubro de 2014 (encerramento)
Exposição D:  de 24 de outubro (abertura)  a 02 de  novembro de 2014 (encerramento)
Exposição E:  de 07 de  novembro (abertura)  a 16 de  novembro de 2014 (encerramento)
Exposição F:  de 21 de novembro (abertura)  a 30 de  novembro de 2014 (encerramento)
Exposição G:  de 05 de dezembro (abertura)  a 14 de  dezembro de 2014 (encerramento)
***com festa de  abertura e de encerramento.

CASA DA XICLET GALERIA por ANDRÉ SZTUTMAN.

Artista humilde e amigo

A Casa da Xiclet é uma galeria de arte e também uma residência. A presença de uma transforma a outra – a galeria é diferente por causa da casa e a casa é diferente por causa da galeria. Além disso, a partir da consciência desse processo, existe a perspectiva da galeria-casa como obra.

O conteúdo da ‘obra’ deriva de três espaços: O espaço da galeria (Sala Especial) e o que lhe diz respeito, ou seja, sua política; sua organização; seus temas; suas exposições e mostras, as pessoas envolvidas e suas atuações diversas; a sua divulgação,a sua comunicação com a mídia e através dela, com o circuito da arte, etc. O espaço da casa, ou seja, o quarto, a cozinha, o banheiro, os utensílios domésticos, a privacidade de quem mora ali, o respeito que se tem ao entrar na casa de alguém, a educação, e também a informalidade, a intimidade entre as pessoas, a praticidade, e a possibilidade de ócio, etc. E o terceiro espaço é o da identidade daquele lugar, onde a casa e a galeria se fundem, uma vez que o limite entre elas é flexível e pode se esgarçar ou se atenuar, conforme as circunstâncias. Este terceiro espaço cresce em conteúdo na medida em que se vive nele, o que permite o compreender e o constituir.

A programação do espaço inclui exposições de artes, espetáculos musicais, projeção de filmes, eventos, jogos, festas, palestras e oficinas. TUDO EM UM AMBIENTE CASEIRO ONDE SE PODE VIVENCIAR O LAZER CULTURAL. Não é underground é Playground! e Não é Ponto de Cultura, é Ponto de Interrogação.

A compreensão deste espaço híbrido se expressa muitas vezes através dos slogans e das divulgações da casa, assim como nos próprios temas das exposições. Estes, a partir de uma posição crítica e ideológica, desvelam esse conteúdo gradualmente. Por exemplo: A exposição que normalmente ocorre em janeiro / fevereiro propõe aos artistas participantes que pensem em obras que envolvam o jogo e interatividade, e ao mesmo tempo, comenta a questão do ressurgimento da aura através de uma crítica ao status ‘underground’: o slogan da exposição é “NÃO É UNDERGROUND , É PLAYGROUND”. O underground se tornou uma marca, uma maquiagem.

O playground por sua vez é um espaço que não tem a menor autonomia, que depende do exercício de ações dentro dele, podendo ocupar espaços variados como o de um tanque de areia, de uma casa, de um quintal, de uma calçada na rua ou de um parque mas onde sobretudo, sua caracterização depende das atividades ali desprendidas.Um fator importante diz respeito à acessibilidade da casa, que abre inscrições, mediante um valor que é cobrado, indiscriminadamente, para quem quiser participar.

A casa trabalha com um amplo espectro tanto quantitativamente quanto qualitativamente. São muitos artistas. Enquanto uma galeria convencional trabalha com quinze ou vinte artistas por ano, a casa da xiclet trabalha com quinze ou vinte artistas por mês. Além disso, por não haver seleção de obras, há essa variante qualitativa, onde encontramos tanto trabalhos situados no atual contexto de produção de arte contemporânea, a par de suas discussões, quanto pinturas de ‘praça da república’. Há ali publicitários, fotógrafos, médicos, donas-de-casa, adolescentes, cineastas, coletivos, anônimos, desempregados, e todo o tipo de artistas, em fim, muita gente diferente expondo.

DESSA MANEIRA, O ESPAÇO DA GALERIA DE ARTE NÃO NOS DIZ O QUE É ARTE E O QUE NÃO É, NÃO DETÉM ESTE PODER NEM ASSUME ESSE PAPEL, E A EXPERIÊNCIA É MAIS RICA POR CAUSA DISSO.

A experiência se enriquece na medida em que o público (que também é visita) está livre de uma relação imperativa. Surge um contexto propício para o aprendizado, e para uma compreensão das obras que não a partir de seu status de elevação, mas de seu conteúdo, que nesse contexto se sobressai.

A casa como obra vai contra qualquer noção de “obra” fechada em si mesma. É imaterial, é um conjunto de relações, de pessoas, de acontecimentos. Mas é também a favor de todas as obras que possam surgir nesse espaço cujo valor definitivo é a convivência.

O fato de não haver um imperativo ‘arte’ por meio de uma espécie de diluição desta com o espaço comum da vida e pela heterogeneidade dada pela política de não-seleção é de suma importância em uma análise de estratégias de desmistificação. Essa política se expressa num slogan da casa, “SEM-CURADORIA, SEM-SELEÇÃO, SEM-JUROS, SEM-JABÁ, SEM-ENTRADA , SEM-PATROCINADOR E SEM-SAÍDA”.

O processo de criação surge da vivência contínua e da manutenção desta; da possibilidade de ócio, durante o almoço, tomando cerveja, da informalidade, nascem as melhores idéias. Foi o caso do nome da ‘Auto-Escola’, setor educativo da casa que se dedica à criação de cursos e oficinas, e disponibiliza um espaço gratuito para artistas que apresentarem projetos, e funciona como uma auto-gestão independente da galeria. Há uma tendência clara em brincar com as palavras e com humor.

Outra tendência forte é a de usar o próprio circuito ‘oficial’ das artes e seus “conceitos” como material de trabalho. A mostra de arte eletrônica ‘FILE’, que ocorre anualmente em São Paulo, por exemplo, foi material para a casa da Xiclet criar a sua própria versão paródica, intitulada X-Filet (X Festival Internacional da Linguagem Eletrônica Tutti-Frutti). O cartaz dessa exposição é uma seqüência de imagens xerocadas de um contra-filé. Outro exemplo foi a ‘resposta’ da casa da xiclet à bienal vazia: uma mostra coletiva intitulada “Bienal: To Cheia”.

Dessa forma é comum que a programação da casa tenha um paralelo com a programação das instituições do circuito. Mas a Xiclet persiste: “NÃO É PARALELO, É VERTICAL”, driblando com criatividade o perigo de se cair na mesma armadilha do ‘underground’.

A ameaça à noção de aura está contida na negação de seu emprego como pedestal-muleta ou como afirmação imperativa de ‘ISSO É ARTE, ISSO NÃO É ARTE’. Em face da dinâmica da casa, a aura perde totalmente sua função.

 

Quero “fazer da borda o novo centro! – Andre Sztutman
ENTRE-VISTA ao musico Moisés Müller e ao cozinheiro Daniel Birolli

DA MARGEM AO EPI-CENTRO

A partir da segunda quinzena do mês de setembro a casa será desocupada e passará a ser utilizada, por questões de segurança,  como aterro alegórico. O novo endereço ainda não foi divulgado, mas em entrevista exclusiva com a Secretária Oficial de Assuntos Pendentes, Adriana Matos Alves Duarte, (43anos e 4meses), existe um real interesse em locar um lote na Marginal Pinheiros.

A Entre-vista

Moisés Pergunta: 
Por que essa mudança repentina depois de 10 anos sem Vitória?

Secretária Responde:
É becauseque São Paulo cresceu e ocorreu um deslocamento desnecessário involuntário da margem ao epicentro. Essa situação meio que tá confundindo a  cabeça das pessoas – vamos seguindo pela ordem  “quem não sabe brincar não desce pro play” tá?

Moisés Pergunta: 
Você se considera deslocada agora? no sentido Hiroshiniano?

Secretária Responde:
Não, me considero locada. Antes eu alugava os outros ,agora eles me alugam e não me enxergam.

Moisés Pergunta: 
Você esta sentida com o Mercado de Artes?

Secretária Responde:
Não, Mercado de Artes não faz sentido nenhum.
Não faz nem cócegas assim como  os “arranha-céus não chegam nem aos pés das nuvens” (Maurício Pereira)

Moisés Pergunta: 
O que vem a ser aterro alegórico?

Secretária Responde:
Vontade de sedimentar ( de ser de  menta)

Moisés Pergunta: 
Porque Marginal Pinheiros?

Secretária Responde:
Porque um dia eu vi um menino que trocou o “P” de Pinheiros , por “D” de Dinheiros,
ficando Marginal Dinheiros. Entendeu?

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Palhaço Leigo em nova apresentação gênero stand-up: neste vídeo qualquer semelhança com pessoas ou nomes reais é mera coincidência.
Exposição Feira Orgânica, Casa da Xiclet, São Paulo, Maio de 2012.
Palhaço Leigo é um personagem de história em quadrinhos criado em 1999 e a performance foi lançada em 2002, cada apresentação é diferente da outra. É a primeira gravação de apresentação ao vivo lançada no Youtube.

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Xiclet anuncia marginalidade definitiva.

Em entre-vista exclusiva ao musico Moisés Müller e ao cozinheiro Daniel Birolli.

A partir da segunda quinzena do mês de setembro a casa será desocupada e passará a ser utilizada  como aterro alegórico.O novo endereço ainda não foi divulgado, mas em entrevista exclusiva com a Secretária Oficial de Assuntos Pendentes,Adriana Matos Alves Duarte, (43anos e 4meses), verificamos que existe um real interesse em locar um lote na Marginal Pinheiros.

A Entre-vista

Moisés Pergunta:  
Por que essa mudança repentina depois de 10 anos sem Vitória?

Secretária Responde:
É becauseque São Paulo cresceu e ocorreu um deslocamento desnecessário involuntário da margem ao epicentro.
Essa situação meio que tá confundindo a  cabeça das pessoas – vamos seguindo pela ordem  “quem não sabe brincar não desce pro play” tá?

Moisés Pergunta:  
Você se considera deslocada agora? no sentido Hiroshiniano?

Secretária Responde:
Não, me considero locada. Antes eu alugava os outros ,agora eles me alugam e não me enxergam.

Moisés Pergunta:  
Você esta sentida com o Mercado de Artes?

Secretária Responde:
Não, Mercado de Artes não faz sentido nenhum. Não faz nem cócegas assim como
os “arranha-céus não chegam nem aos pés das nuvens” (Maurício Pereira)

Moisés Pergunta:  
O que vem a ser aterro alegórico?

Secretária Responde:
Vontade de sedimentar ( de ser de  menta)

Moisés Pergunta:  
Porque Marginal Pinheiros?

Secretária Responde:
Porque um dia eu vi um menino que trocou o “P” de Pinheiros , por “D” de Dinheiros,
ficando Marginal Dinheiros. Entendeu?

 

Musica para ouvir enquanto vc visualiza nosso site:

 

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Bom Dia VITÓRIA!


“Toda vez que a internet lhe oferece algo de graça,
isto quer dizer que o produto é você”.

 

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Nelson Leirner – © Copyright – Web Master Maurício Lima

POZ REAL –   Alex Borges  (in memórian )

A interface de convergências subversivas sob o nome de Nelson Leirner, permanece como o grande estigma vivo da impossibilidade de ruptura total a máquina/sistema que estabelece e define os valores da arte.

A partir de 1968, sob financiamento do I.A.A.S. ( Instituto de Apoio a Atos Subversivos) tem início o ‘STATUS OBLIQUO”, um projeto de protocolagem do artista plástico Nelson Leirner, baseado nos seus conceitos de Multiplos, nas teorias e aparelhos telesubliminares dos dissidentes do MIT, e especialmente nas idéias de W. Burroughs sobre a vindoura “ Geração Eletrônica” cujos membros formariam resistências arte terroristas e midiativistas, vitais para a liberdade de informação na era do controle Hipermidiático.

1970

A primeira fase do projeto consistiu do rastreamento referencial que demarcava o universo da Subversão Artística no passado,até a formação de um gabarito de tendências para as gerações futuras, tendo como ponto de convergência no presente a atuação do cientista de Mediações Transgressivas Nelson Leirner.

A partir deste ano seguiu-se um programa de experimentos com mulheres grávidas onde agentes infiltrados na rede de maternidade de todo o País munidos de aparelhos de alta tecnologia, submetiam as crianças ainda em formação nos úteros de suas mães a impulsos eletrônicos que estimulariam suas capacidades criativas e transgressivas.

Através das informações implantadas em seus subconscientes, estas crianças portariam um vocabulário ou protocolo rebelde em comum, e viriam a constituir um exército de artivistas  fantasmas,vinculados por uma rede subjetiva de idéias que os uniria longe de um controle cada vez mais vigilante.

2002

Alguns integrantes do grupo de crianças “treinadas” de 1970  a 1980, diante da revelação de sua situação de clones de Nelson Leirner, reúnem-se para um levante contra círculos que instituem, oficializam e mediam a arte.

Nada mais preciso que esta transgressão ironicamente se estabelece sob o nome de Bienal Paralela EU QUERO SER NELSON LEIRNER. Uma grande celebração a sua condição de MULTIPLOS VIVOS que revelam a multiplicidade rebelde de artistas jovens que vivem como PORCOS EMPALHADOS ENGRADADOS pelas instituições que discriminam e excluem uns, enquanto enjaulam e exaltam outros através de critérios que ainda permanecem obscuros.

Critérios obscuros/Circulos Heméticos.

Digamos que insatisfeita, a fúria sarcástica de Nelson Leirner tenha deixado de apropriar-se de objetos comuns para questionar dogmas da arte oficializada, e passa-se a apropriar-se das mentes destes jovens, e na contramão eles se apropriassem de tudo o que Leirner representa.

Desmistificado e subvertido

Tudo o que separa

A arte

A vida

O artista

O homem

Qualquer um que declare

EU QUERO SER NELSON LEIRNER

talvez o seja mais que o próprio!

EU QUERO SER NELSON LEIRNER

Poz Real

Alex B. 15.03.2002

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Obsessão_”de”Guilherme Espíndula da Rocha                                             .

Querido Edemar Cid Ferreira

Nunca me esquecerei daquela festa! Foi ali que nos conhecemos, embora você possa afirmar que nunca realmente tenhamos nos conhecido. No meio de tanta gente, lá estávamos nós. Tão próximos um do outro, que me sentia íntimo de você . Eu estava ao seu lado! Me sentia como um Deus poderoso, próximo, paterno. Não sei por quantas vezes, eu esbarrei em você  para que me notasse. Você nunca me olhou, nunca me notou. Ficaram apenas retratos. Caras e Poses das quais riremos juntos mais tarde, quando nos encontrarmos uma ultima vez. Mas eu vi você. E foi então que tudo começou.

Minha obsessão cresceu e tomou conta de mim. Já não dormia. Já não pensava em mais nada. Eu queria ser você! Eu me escondia atrás de você. Te seguia pelas ruas. Perseguia seu carro. Tirava fotos. Lembro uma vez que subornei seu empregado para que me permitisse entrar em sua casa. Deitei em sua cama, usei sua banheira, me babeei em seu espelho…

Recortava tudo que saia nos jornais. Eu sabia tudo sobre você.

FOI ENTAO QUE EU ME SENTI VOCE.

 Eu era Edemar Cid Ferreira! Eu controlava o Banco Santos. Eu era um empresário de sucesso. Eu fiquei famoso. Saia em capas de revistas. Era o dono do mundo. Eu possuía tudo que sempre quis: as mais ricas coleções de arte, as mais belas peças dos museus. Arrebatava as mais preciosas obras do mundo. Eu colocava tudo dentro de minha casa. Eu era o mecenas mais glorioso que este lugar já viu. Produzia as melhores exposições.

Nunca fui tão feliz como quando eu era você. Eu vivi os melhores momentos da sua vida. E brindava todos os dias a nossa saúde. E celebrava a vida com o que ela tinha de melhor a oferecer. Viva a Vida. A sua Vida agora me pertencia!

E quando tudo estava perfeito, você me fez ruir. Você acabou comigo. Destruiu todo meu patrimônio. Me tirou tudo que eu tinha. Me tirou toda minha estimada coleção de artes, meu banco faliu. A vergonha pela qual passei…Meu patrimônio todo foi confiscado. Minha família foi arruinada.

Você me arruinou. Destruiu minha vida. Tomou tudo que eu tinha. Agora estou preso, aqui, nesta cela solitária. Muito longe daquela glória que eu te proporcionei. Muito longe dos momentos felizes que eu te dei. Muito longe…Trancado…Sozinho…

Mas isto não ficara assim: Eu vou sair daqui. Eu vou atrás de você. Eu vou conseguir, pode esperar. Pois eu sou Edemar Cid ferreira, o todo poderoso empreendedor, o empresário do ano. O homem de sucesso!!! Não esqueça meu nome:

Eu sou Edemar…Eu sou Edemar… Eu sou Edemar…Eu sou Edemar…Eu sou Edemar…Eu sou Edemar… Eu sou Edemar…Eu sou Edemar…Eu sou Edemar…

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CASA DA XICLET 2012

sem-seleção, sem curadoria, sem-jabá, sem-juros, sem-entrada e sem-saída